O preenchimento dos campos de CBS e IBS em documento fiscal eletrônico deixou de ser facultativo em janeiro de 2026. Desde então, o ambiente produtivo da SEFAZ valida esses campos, eles têm valor jurídico e a não conformidade pode levar à rejeição da nota.
Mesmo assim, levantamento divulgado em setembro de 2026 que analisou 337,3 mil CNPJs e 226 milhões de notas fiscais apontou que 40,71% das empresas do Regime Normal ainda não atingiram conformidade integral. E a velocidade de adequação caiu 52,8% de um trimestre para o outro.
Para quem roda SAP, isso tem uma leitura específica. A adequação não é um projeto de configuração, é um processo de implementação de notas que precisa seguir uma ordem definida pela própria SAP, com dependências entre elas e com lista que continua sendo atualizada.
Este artigo trata de quatro coisas. O que a SAP entregou e como ela espera que seja implementado, o erro de implementação que compromete o ambiente inteiro, o que continua dependendo do cadastro de cada empresa e o que verificar agora, dez meses depois do início da obrigatoriedade.
O cronograma que organiza tudo
Antes de qualquer decisão técnica, vale ter o calendário claro, porque ele define o que é urgente e o que é planejamento.
Ano | O que acontece |
2026 | Fase de teste, com alíquotas reduzidas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS |
2027 | A CBS passa a valer e substitui PIS e Cofins. A alíquota de IPI é zerada, exceto para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus |
2028 | Último ano de ICMS e ISS sem alteração |
2029 a 2032 | Eliminação gradual de ICMS e ISS, com redução anual de 10% nas alíquotas, substituídos pelo IBS |
2033 | Adoção integral do novo regime, com a extinção de ICMS e ISS |
A leitura prática desse cronograma é que 2026 não é ano de observação, é ano de homologação. As alíquotas reduzidas existem justamente para que a empresa ajuste sistema e cadastro enquanto o custo do erro ainda é baixo. O recolhimento efetivo começa em 2027.
O que a SAP entregou e como ela espera que seja implementado
A adequação chega por meio de notas SAP, que é o mecanismo usado pela empresa para distribuir alterações legais. O conjunto é extenso e, mais importante, tem dependências entre si.
Existe uma nota principal que centraliza tudo. A SAP Note 3561376 descreve a estratégia de entrega e suporte da solução de Reforma Tributária no Brasil, lista as entregas conforme são liberadas e é atualizada com frequência. É o ponto de partida obrigatório.
E existe um método recomendado para implementar. A SAP orienta o uso da ferramenta Note Analyzer, com o arquivo XML anexado à nota principal, que organiza as entregas e indica a ordem correta de implementação. A própria SAP recomenda seguir essa ordem mesmo quando alguma nota não parece relevante para o negócio.
Há ainda três recursos de apoio que valem acompanhamento contínuo. O SAP Work Zone dedicado à localização da Reforma, com atualização diária. A plataforma Regulatory Change Manager, com anúncios de mudanças legais e planejamento de entregas. E a KBA 3642384, guia de troubleshooting que reúne os problemas já identificados durante a implementação e é atualizada continuamente.
A documentação técnica das mudanças está no portal oficial. A página sobre os campos adicionados à nota fiscal para impostos CBS e IBS detalha cada campo incluído nas tabelas de cabeçalho e de itens, e a página sobre definir situação tributária para CBS e IBS descreve a visão de customizing criada para esse fim.

O erro de implementação que compromete o ambiente. Este é o alerta mais importante do material oficial da SAP, e é o que menos aparece em conteúdo sobre o tema.
Avançar para a implementação de uma nota deixando notas anteriores com status de implementação incompleta corrompe o sistema. O ambiente fica sem os contextos e objetos necessários para as implementações seguintes, e o problema se acumula silenciosamente.
A consequência é pior do que parece. Como as notas têm dependências entre si, uma implementação incompleta no começo da fila compromete tudo que vem depois. O time segue aplicando notas acreditando que está avançando, enquanto o ambiente vai ficando progressivamente inconsistente.
A orientação da SAP para evitar isso é simples e costuma ser ignorada por pressão de prazo. Antes de cada nota, ler o conteúdo em texto, porque ali estão os pré-requisitos conhecidos, os passos manuais a executar antes ou depois da correção automática e outras instruções específicas. E garantir que cada nota esteja completa antes de passar para a próxima.
Em outras palavras, a pressa nessa etapa não acelera nada. Ela cria retrabalho que só aparece depois, quando o ambiente já está em estado difícil de reverter.
O que a SEFAZ passou a validar
Do lado do governo, houve uma virada de regime que define o nível de risco atual. Até dezembro de 2025, o preenchimento dos campos dos novos tributos era facultativo. Dava para testar em ambiente de homologação da SEFAZ e, opcionalmente, enviar também em produção, sem risco de rejeição. Esse período acabou.
Desde janeiro de 2026, o ambiente produtivo da SEFAZ valida os novos campos do XML da NF-e, e o preenchimento é obrigatório e com valor jurídico. A não conformidade pode levar à rejeição da nota fiscal, o que trava emissão e, por consequência, faturamento.
Essa é a diferença que separa 2025 de hoje. Antes, campo em branco era pendência. Agora é risco operacional com efeito imediato no caixa.
Vale registrar que nem todos os cenários estão cobertos. A SAP mantém uma nota informativa específica, a 3637842, destacando os processos ainda não suportados em relação à Reforma, especialmente cenários a serem testados com a SEFAZ. Ela é atualizada regularmente e merece acompanhamento por quem opera em cenário menos comum.
O que a implementação não resolve
Mesmo com todas as notas aplicadas corretamente e na ordem indicada, existe uma camada que não chega por atualização.
A implementação entrega a estrutura. Ela não decide o conteúdo.
O sistema passa a ter o campo de situação tributária. Qual situação se aplica a cada operação da sua empresa é decisão que depende do produto, do tipo de cliente, da natureza da operação e da interpretação fiscal do caso.
A SAP entrega | A sua empresa define |
Os campos de CBS e IBS na estrutura da nota fiscal | Qual valor entra em cada campo, em cada operação |
A visão de customizing para situação tributária | Qual situação tributária se aplica a cada tipo de operação |
Os esquemas de imposto com os novos tributos | A parametrização que liga produto, operação e regra |
O layout atualizado do documento eletrônico | A classificação fiscal correta de cada item do cadastro |
A ordem correta de implementação das notas | As integrações que alimentam o ambiente com dado de fora |
A consequência prática é desconfortável. Um ambiente SAP totalmente atualizado pode emitir documento fiscal incorreto se a classificação do item estiver errada. E ele será autorizado, porque a estrutura está certa. O erro está no conteúdo, e ele só aparece em apuração ou auditoria.
Estar em dia em dezembro não significa estar em dia hoje
Existe uma armadilha específica para quem concluiu a implementação no prazo recomendado e considerou o assunto encerrado.
A lista de entregas não parou. A nota principal é de atualização frequente e lista as entregas conforme elas são liberadas. A nota de limitações de teste com a SEFAZ também é atualizada regularmente, o que significa que cenários antes não suportados podem ter sido cobertos, e novos cenários podem ter sido identificados.
Na prática, um ambiente que estava completo em dezembro de 2025 pode estar defasado agora, sem que ninguém tenha percebido. Não houve erro, houve apenas o tempo passando.
Cinco verificações resolvem a maior parte do diagnóstico, e elas valem tanto para quem concluiu no prazo quanto para quem está atrasado.
Levante o status real das notas em produção. Não o de homologação. Use o Note Analyzer com a versão mais recente do XML da nota principal para identificar o que foi aplicado, o que falta e, principalmente, o que está com implementação incompleta.
Resolva as implementações incompletas antes de avançar. Aplicar nota nova sobre base inconsistente aprofunda o problema em vez de reduzi-lo.
Meça a emissão dos últimos meses. Verifique qual percentual das notas saiu com os campos de CBS e IBS preenchidos, e levante quantas foram rejeitadas desde janeiro. Rejeição é o sintoma mais direto que existe.
Revise a classificação dos itens que mais pesam. Comece pelos produtos e serviços que respondem pela maior parte do faturamento, não pela base inteira.
Estabeleça uma rotina de acompanhamento. Não uma conferência pontual. A nota principal, a de limitações e o guia de troubleshooting mudam continuamente, e o Work Zone tem movimentação diária.
Perguntas frequentes
Minha nota fiscal pode ser rejeitada por causa dos campos de CBS e IBS?
Sim. Desde janeiro de 2026, o preenchimento desses campos em documentos fiscais eletrônicos em ambiente de produção é obrigatório e tem valor jurídico, e a não conformidade pode levar à rejeição da nota pela SEFAZ. Antes dessa data o preenchimento era facultativo e não causava rejeição.
Apliquei as notas no ano passado. Preciso verificar de novo?
Sim. A nota principal da Reforma é de atualização frequente e lista novas entregas conforme são liberadas, e a nota sobre limitações de teste com a SEFAZ também é atualizada regularmente. Um ambiente que estava completo em dezembro de 2025 pode estar defasado hoje, sem que isso gere qualquer alerta.
Posso implementar as notas SAP em qualquer ordem?
Não. A SAP recomenda o uso da ferramenta Note Analyzer com o arquivo XML anexado à nota principal, que indica a ordem correta de implementação. A orientação é seguir essa ordem mesmo quando alguma nota não pareça relevante, porque existem dependências entre elas.
O que acontece se uma nota ficar com implementação incompleta?
O ambiente fica sem os contextos e objetos necessários para as implementações seguintes, o que a SAP descreve como sistema corrompido. Como as notas têm dependências, uma implementação incompleta no início da fila compromete tudo que vem depois, e o problema se acumula sem gerar alerta.
O preenchimento dos campos de CBS e IBS é obrigatório?
Sim. A partir de janeiro de 2026, o preenchimento dos campos dos novos impostos em documentos fiscais eletrônicos em ambiente de produção passou a ser obrigatório e com valor jurídico, e a não conformidade pode levar à rejeição da nota fiscal.
Todos os cenários já estão suportados pela SAP?
Não. A SAP mantém uma nota informativa específica que destaca os processos ainda não suportados em relação à Reforma, com foco em cenários a serem testados com a SEFAZ. Ela é atualizada regularmente, e empresas com operação menos convencional devem acompanhá-la de perto.
A pergunta que separa os dois grupos
Existem duas empresas usando SAP hoje. Uma aplicou as notas e considera o assunto resolvido. A outra aplicou as notas, conferiu o status de cada uma, acompanha as atualizações e foi olhar o que sai na emissão.
A primeira descobre o problema quando a nota é rejeitada ou quando o recolhimento começa, em 2027. A segunda já sabe onde está exposta.
E a desaceleração registrada no levantamento sugere algo incômodo sobre o momento. A parte simples da adequação já foi feita pela maioria. O que sobrou é justamente o que exige revisão de cadastro, decisão sobre classificação fiscal e acompanhamento contínuo das entregas.
Escrevemos sobre o que a localização brasileira já contempla e o que continua dependendo do ambiente em Reforma Tributária, o que o SAP Business One já entrega.
A G2 Tecnologia trabalha com SAP há 19 anos, com projetos em mais de 15 países, e acompanha a adequação de ambientes à Reforma desde o início da transição.
Se você não consegue dizer hoje qual o status das notas no seu ambiente produtivo, esse é o ponto de partida. Nossos especialistas levantam o que foi aplicado, o que está incompleto e o que precisa ser revisto em cadastro, parametrização e integrações.

