Quatro em cada dez empresas não estão em dia com IBS e CBS
  • Publicado em: 6 de outubro de 2026
  • Atualizado em: 6 de outubro de 2026

Quatro em cada dez empresas não estão em dia com IBS e CBS

Levantamento com 226 milhões de notas mostra que 40,71% das empresas do Regime Normal não atingiram conformidade com IBS e CBS. E o número é o piso.

40,71% das empresas brasileiras do Regime Normal não atingiram conformidade integral com IBS e CBS no primeiro semestre de 2026. São cerca de 137,3 mil CNPJs, de um total de 337,3 mil analisados, segundo levantamento divulgado em setembro de 2026 que examinou 226 milhões de notas fiscais emitidas entre janeiro e junho.

Dentro desse grupo, 28,47% não fizeram adesão alguma e 12,24% aderiram parcialmente. E a velocidade de adequação caiu 52,8% de um trimestre para o outro, o que significa que o ritmo está desacelerando justamente quando o prazo se aproxima.

A cobrança de IBS e CBS começa em 1º de janeiro de 2027. O que hoje é campo em branco em uma nota fiscal passa, a partir dessa data, a ser valor recolhido a maior, crédito perdido ou documento rejeitado.

O que o levantamento mostrou

O estudo foi conduzido pela Qive, dentro do Panorama do Contas a Pagar, e analisou empresas enquadradas no Lucro Real e no Lucro Presumido, que são justamente as obrigadas a emitir documentos eletrônicos com os destaques individualizados de CBS e IBS ao longo de 2026.

A classificação seguiu um critério objetivo por empresa, e não por documento.

Situação

Critério do estudo

Participação

Adesão total

Mais de 90% das notas com os campos preenchidos

59,29% das empresas

Adesão parcial

Entre 35% e 89% das notas com os campos preenchidos

12,24% das empresas

Não adesão

Menos de 35% das notas com os campos preenchidos

28,47% das empresas

Olhando por tipo de documento, o cenário se divide. Das notas fiscais de mercadorias emitidas por empresas do Regime Normal, 85,42% já saíram com os campos de IBS e CBS preenchidos. Um número razoável, que sugere que a parte mais visível da adequação avançou. O problema está no outro lado.

E dentro dessa temática, a G2 Tecnologia produziu o "Webinar CBS e IBS na conta: como recalcular preços e renegociar contratos", com um kit para simulação de cenário que você pode acessar clicando no banner a seguir.

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O gargalo está nas notas de serviço

Das 38,4 milhões de notas fiscais de serviço emitidas no período, 27,5 milhões saíram sem qualquer menção aos novos tributos. São 71,65% do total.

A explicação é estrutural. A emissão de nota de serviço ainda depende de plataformas municipais, e essa fragmentação faz com que a adequação avance em velocidades diferentes conforme o município. Empresa que opera em várias praças convive com sistemas em estágios distintos de atualização.

Para quem presta serviço, isso significa que a conformidade não depende apenas do próprio ERP. Depende também de como cada prefeitura implementou o novo layout, e de a empresa acompanhar essa implementação praça por praça.

O número é o piso, não o teto

O levantamento mede se o campo foi preenchido, não se ele foi preenchido corretamente. A própria metodologia registra que a análise verifica a presença e o preenchimento estrutural dos campos no layout do documento, e não audita a correção jurídica do enquadramento tributário em cada operação.

Na prática, isso significa que uma empresa classificada como em adesão total pode estar emitindo nota com código de situação tributária incorreto, classificação errada do item ou alíquota aplicada fora da regra. O campo está lá, a informação dentro dele pode estar errada.

Ou seja, os 40,71% descrevem quem nem sequer preencheu. O universo de empresas com algum tipo de inconsistência fiscal é necessariamente maior do que isso.

E esse é exatamente o tipo de erro que não gera alerta. O sistema aceita, a nota é autorizada e a operação segue. A conta chega em 2027.

O que fazer com os meses que restam

O ano de 2026 foi desenhado como janela de homologação. As alíquotas de teste, 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, existem para que a empresa ajuste sistema e cadastro enquanto o custo do erro ainda é baixo. Quem cumpre as obrigações acessórias não recolhe.

Quatro frentes concentram a maior parte do trabalho.

  • Confirme a versão do ERP em produção. Os recursos fiscais chegam por atualização, e é comum encontrar ambientes com a versão validada em homologação e ainda pendente em produção.

  • Revise a classificação dos itens que mais pesam. Comece pelos produtos e serviços que respondem pela maior parte do faturamento, não pela base inteira. É ali que o erro custa mais caro.

  • Mapeie as praças em que você emite nota de serviço. Dado o gargalo nas plataformas municipais, essa frente precisa de acompanhamento próprio, município por município.

  • Teste a emissão com cenários reais. Emitir uma nota de teste com operação típica revela em minutos o que uma revisão de cadastro levaria semanas para encontrar.

Nada disso exige projeto novo. Exige alguém responsável por conduzir e uma janela de tempo que ainda existe.

Perguntas frequentes

Quando começa a cobrança de IBS e CBS?

A cobrança começa em 1º de janeiro de 2027. Durante 2026, os tributos aparecem nos documentos fiscais em caráter de teste, com CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, e quem cumpre as obrigações acessórias não recolhe. A partir de 2027, a mesma inconsistência que hoje não tem custo passa a gerar valor recolhido a maior, crédito perdido ou nota rejeitada.

O que significa não estar em conformidade com IBS e CBS?

No critério usado pelo levantamento, significa emitir menos de 90% das notas com os campos de IBS e CBS preenchidos. Vale notar que o estudo verifica a presença do campo, e não se o conteúdo dele está correto, de forma que uma empresa pode constar como adequada e ainda assim ter erro de classificação fiscal.

Por que as notas de serviço estão mais atrasadas?

Porque a emissão de nota fiscal de serviço ainda depende de plataformas municipais, e cada município implementa o novo layout em seu próprio ritmo. Isso faz com que uma empresa que atua em várias praças conviva com sistemas em estágios diferentes de adequação, o que exige acompanhamento individual por município.

O que esse número diz sobre o tempo que sobrou

A desaceleração de 52,8% entre o primeiro e o segundo trimestre é o dado mais incômodo do levantamento. Ele sugere que a parte fácil da adequação já foi feita, e o que restou é justamente o que exige revisão de cadastro, decisão sobre classificação e acompanhamento de plataforma municipal.

Prazo adiado não é problema resolvido. É tempo emprestado, e ele rende conforme o uso.

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Karina Castelhano

Sobre o autor

Karina Castelhano

Karina Castelhano é Gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da G2, com mais de 20 anos de experiência em marketing B2B para empresas de tecnologia, incluindo atuação em projetos e soluções voltadas ao ecossistema SAP. Especialista em estratégias de crescimento, posicionamento de marca, geração de demanda e análise de mercado, atua na construção de operações de marketing orientadas a dados e resultados, com foco em inovação, relacionamento e expansão sustentável dos negócios.

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