O SAP NOW AI Tour Brazil 2026 aconteceu nos dias 9 e 10 de setembro, em São Paulo, e teve um eixo declarado. A SAP apresentou a visão de empresa autônoma, um modelo em que as pessoas seguem responsáveis pela estratégia, pelas prioridades e pelas decisões que exigem julgamento, enquanto agentes de inteligência artificial executam e coordenam tarefas operacionais entre diferentes áreas.
Este artigo resume o que foi apresentado, mostra o dado que mais mudou a conversa sobre retorno de IA no Brasil e separa o que já cabe no SAP Business One do que ainda está no horizonte.
A visão de empresa autônoma
Segundo a Sala de Imprensa da SAP Brasil, a 31ª edição do evento reuniu cerca de 4 mil participantes no Transamérica Expo Center, com mais de 300 sessões distribuídas em doze trilhas de conteúdo, entre elas Cloud ERP, Data & Analytics, Joule e uma série de trilhas dedicadas a finanças, cadeia de suprimentos, recursos humanos e experiência do cliente sob a lógica autônoma.
A diferença entre essa proposta e o discurso de automação que circula há anos está na divisão de papéis. Não se trata de substituir decisão humana, e sim de transferir para a máquina a execução e a coordenação de tarefas que hoje consomem tempo de gente qualificada.
Há um ponto técnico nessa visão que merece atenção de quem gerencia risco. Os agentes operam conectados aos dados, às aplicações e aos processos corporativos, com contexto de negócio e mecanismos de governança, segurança e controle. Ou seja, a pergunta sobre o que o agente pode acessar e o que ele pode executar não é um detalhe de implementação, é parte do desenho.
Na prática, isso significa que a conversa sobre IA dentro do ERP deixa de ser apenas sobre capacidade e passa a envolver também permissão, rastreabilidade e responsabilidade sobre cada ação executada.
O dado que mudou a conversa sobre retorno
Durante o evento, a SAP divulgou o estudo The Value of AI Brazil 2026, produzido em parceria com a Oxford Economics, com 2.600 empresas ouvidas em 13 países, sendo 200 no Brasil. Segundo o levantamento, o retorno médio sobre investimento na adoção de inteligência artificial no país está em torno de 19%.
Esse número faz um trabalho importante na discussão, porque tira o tema do campo da promessa e coloca no campo da conta. Ao mesmo tempo, ele não é um multiplicador extraordinário, e isso também informa.
Um retorno de 19% é relevante e é atingível, mas não sustenta a expectativa de transformação imediata que costuma acompanhar o assunto em apresentação comercial. Ele sugere ganho progressivo, obtido em casos de uso específicos, e não uma revolução operacional em um trimestre.

O que disso já cabe no seu SAP Business One
Boa parte do que foi apresentado no evento tem foco em grandes operações e no SAP Business Suite. Ainda assim, três movimentos alcançam diretamente quem roda SAP Business One.
Interação em linguagem natural. Perguntar sobre os dados da própria empresa sem saber em qual tela a informação está, sem executar relatório e sem configurar filtro. É o recurso de entrada e o que mais rapidamente muda a rotina de quem atende cliente e monta relatório.
Geração assistida de consultas. Descrever em português o que se quer ver e receber uma consulta pronta para ajuste. Derruba a barreira de quem precisa da informação e não domina a estrutura do banco de dados.
Recursos de IA incorporados às telas. Busca empresarial que interpreta pedido em linguagem natural, filtros aplicados a partir de uma descrição e resumo automático de conteúdo. A ativação é mais simples que a de um assistente completo e costuma ser o melhor ponto de partida.
Vale registrar que a versão básica do assistente de IA da SAP já está disponível para clientes, o que significa que parte desse caminho não depende de contratação adicional, e sim de ativação e de configuração no ambiente.
O pré-requisito, porém, não mudou. Todos esses recursos respondem sobre o dado que encontram. Cadastro duplicado, classificação fiscal inconsistente ou processo que acontece fora do sistema produzem resposta incorreta com a mesma naturalidade com que produziriam uma resposta certa.
O que ainda não cabe, e por que isso importa
Separar o que existe hoje do que foi apresentado como visão evita a frustração que costuma vir seis meses depois de uma decisão tomada no calor de um evento.
Agentes autônomos executando processos de ponta a ponta são a direção estratégica anunciada, não uma funcionalidade disponível para qualquer ambiente. A construção desses agentes envolve plataforma, integração e governança que a maior parte das operações de médio porte ainda não tem estruturada.
Customizações não são absorvidas automaticamente. Os casos de uso cobrem cenários padrão suportados, e cada empresa precisa verificar se o processo que ela quer automatizar está entre eles.
Validação humana continua obrigatória. A própria lógica de empresa autônoma preserva o julgamento humano nas decisões que o exigem. Em decisão fiscal ou financeira, conferir o resultado antes de usar não é excesso de zelo.
A leitura prática de tudo isso é que a pergunta deixa de ser se a IA vai chegar ao seu ambiente. Passa a ser qual caso de uso resolve um problema real da sua operação e se a sua base está pronta para sustentar a resposta.
Perguntas frequentes
O que é a empresa autônoma apresentada pela SAP?
É um modelo em que as pessoas mantêm a responsabilidade sobre estratégia, prioridades e decisões que exigem julgamento, enquanto agentes de inteligência artificial executam e coordenam tarefas operacionais entre diferentes áreas, conectados aos dados e processos corporativos com governança e controle.
Quando aconteceu o SAP NOW AI Tour Brazil 2026?
Nos dias 9 e 10 de setembro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Foi a 31ª edição do evento no país, com cerca de 4 mil participantes e mais de 300 sessões distribuídas em doze trilhas de conteúdo.
Qual é o retorno médio da adoção de IA no Brasil?
Segundo o estudo The Value of AI Brazil 2026, da SAP em parceria com a Oxford Economics, o retorno médio sobre investimento em inteligência artificial no país está em torno de 19%. A pesquisa ouviu 2.600 empresas em 13 países, sendo 200 brasileiras.
O SAP Business One tem inteligência artificial?
Sim. A solução vem recebendo recursos de IA por meio de atualizações, com destaque para interação em linguagem natural sobre os dados da empresa, geração assistida de consultas e recursos incorporados às telas, como busca interpretada e resumo automático.
Preciso de um projeto novo para usar IA no SAP Business One?
Na maior parte dos casos, não. Os recursos chegam por atualização de versão. O que costuma faltar é a atualização aplicada em produção e o saneamento de cadastro que permite que a inteligência artificial opere sobre informação confiável.
Onde essa conversa continua
Se você quer entender em detalhe quais recursos de inteligência artificial já estão disponíveis no dia a dia de uma empresa de médio porte, o que ainda não está e do que o resultado realmente depende, tratamos disso em IA no ERP, o que já dá para usar na gestão da PME.
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