Reforma Tributária: o checklist que sua empresa precisa concluir antes de 1º de agosto de 2026
  • Publicado em: 28 de julho de 2026
  • Atualizado em: 31 de julho de 2026

Reforma Tributária: o checklist que sua empresa precisa concluir antes de 1º de agosto de 2026

Saiba quais pontos sua empresa precisa revisar antes de 1º de agosto de 2026 para garantir conformidade com a Reforma Tributária. Confira um checklist completo para processos, ERP e SAP Business One.

Reforma Tributária: o checklist que sua empresa precisa concluir antes de 1º de agosto de 2026

A Reforma Tributária já deixou de ser uma pauta exclusiva das áreas fiscal e jurídica. À medida que as mudanças previstas na legislação começam a ganhar forma e os prazos se aproximam, cresce também a necessidade de preparar a operação para uma nova realidade tributária. Nesse cenário, o ERP passa a desempenhar um papel central, mas não é o único elemento que merece atenção.

Muitas empresas acreditam que a adequação será concluída assim que o fornecedor disponibilizar uma atualização do sistema. Embora essa etapa seja indispensável, ela representa apenas uma parte do processo. A legislação cria novas exigências, mas quem precisa responder a elas são os processos internos, as parametrizações fiscais, os cadastros, as integrações entre sistemas e, principalmente, as pessoas responsáveis pela operação.

É justamente por isso que tantas organizações acabam enfrentando dificuldades durante mudanças regulatórias. A tecnologia está pronta para receber as novas regras, mas a empresa ainda não revisou suas rotinas, não validou suas informações e não definiu uma estratégia para conduzir essa transição de forma estruturada.

Com a aproximação de 1º de agosto de 2026, adiar esse planejamento passa a representar um risco operacional. Quanto mais próximo do prazo, menor será a margem para corrigir inconsistências, revisar processos ou testar novos cenários sem impactar o dia a dia do negócio.

Para ajudar sua empresa a avaliar o nível de preparação para essa nova etapa da Reforma Tributária, reunimos um checklist com os principais pontos que devem ser revisados antes da entrada em vigor das próximas exigências.

Por que 1º de agosto de 2026 merece atenção?

A Reforma Tributária será implementada de forma gradual, mas algumas datas possuem um peso maior na preparação das empresas. O início de agosto de 2026 marca uma etapa importante desse processo, exigindo que organizações estejam prontas para lidar com novos campos em documentos fiscais, adequações relacionadas à CBS e ao IBS e mudanças que impactam diretamente a emissão de notas fiscais, os controles tributários e a gestão das informações dentro do ERP.

Na prática, isso significa que as empresas não poderão concentrar seus esforços apenas na atualização tecnológica. Será necessário garantir que as regras fiscais estejam corretamente parametrizadas, que os cadastros reflitam a realidade da operação e que todas as áreas envolvidas compreendam como essas alterações afetam suas atividades.

Esse movimento exige planejamento porque praticamente nenhum departamento permanece isolado. Compras, faturamento, financeiro, fiscal, controladoria, logística e tecnologia compartilham informações dentro de um ambiente integrado. Uma inconsistência em qualquer ponto desse fluxo pode gerar impactos em diversas etapas da operação.

Mais do que atender a uma obrigação legal, preparar-se para a Reforma Tributária significa reduzir riscos, preservar a eficiência operacional e manter a confiabilidade das informações utilizadas pela gestão.

Atualizar o ERP não significa que a empresa está preparada

Sempre que uma mudança regulatória é anunciada, uma das primeiras perguntas costuma ser: "Quando a atualização do ERP estará disponível?"

Essa preocupação faz sentido, mas pode criar uma falsa sensação de segurança.

A atualização disponibilizada pelo fabricante prepara o sistema para suportar as novas exigências legais. Entretanto, ela não revisa automaticamente regras fiscais, não corrige cadastros inconsistentes, não elimina processos paralelos nem redefine fluxos operacionais construídos ao longo dos anos.

O ERP executa exatamente aquilo que foi parametrizado.

Se a empresa mantiver informações incorretas ou processos inadequados, o sistema continuará reproduzindo essas inconsistências, agora dentro de uma estrutura ainda mais integrada.

Esse conceito reforça um ponto que já discutimos no artigo "ERP não é sistema. É o que sustenta (ou limita) o crescimento da empresa". A tecnologia funciona como uma plataforma de gestão, mas seu desempenho depende diretamente da qualidade dos processos e das decisões que sustentam a operação.

Por isso, antes de considerar a preparação concluída, vale revisar alguns pontos fundamentais.

1. Confirme se o ERP está atualizado

O primeiro passo consiste em verificar se a solução utilizada pela empresa já contempla todas as atualizações necessárias para atender às exigências da Reforma Tributária.

Além da versão do sistema, é importante acompanhar notas técnicas, pacotes de atualização, requisitos específicos do fabricante e orientações relacionadas às novas obrigações fiscais.

Empresas que utilizam SAP Business One, por exemplo, devem acompanhar continuamente as atualizações disponibilizadas pela SAP e validar seu planejamento junto ao parceiro responsável pelo ambiente.

Mas atenção: atualizar o ERP não encerra o trabalho. Essa etapa apenas cria as condições técnicas para que as demais adequações sejam realizadas.


2. Revise todas as parametrizações fiscais

As parametrizações fiscais determinam como o ERP interpreta cada operação realizada pela empresa.

São elas que definem cálculos tributários, regras de incidência, CFOPs, CSTs, naturezas de operação e diversas outras informações utilizadas diariamente pelo sistema.

Uma parametrização incorreta pode gerar problemas de conformidade, retrabalho e impactos financeiros importantes.

Por isso, vale revisar cuidadosamente todas as configurações existentes e validar se elas permanecem compatíveis com a nova realidade tributária.

Esse trabalho deve envolver não apenas tecnologia, mas também as áreas fiscal, contábil e de controladoria, garantindo que a configuração do sistema represente corretamente a operação da empresa.

3. Revise seus cadastros

A qualidade dos dados passa a ser ainda mais importante em um ambiente tributário mais integrado.

Cadastros incompletos, produtos classificados incorretamente, informações fiscais inconsistentes e registros duplicados podem comprometer a correta aplicação das novas regras e gerar dificuldades em praticamente toda a operação.

Esse é um bom momento para revisar cadastros de clientes, fornecedores, produtos, serviços, NCMs, classificações tributárias e demais informações críticas utilizadas pelo ERP.

Mais do que atender à legislação, essa revisão fortalece a governança dos dados e melhora a confiabilidade das informações utilizadas pela empresa.

4. Avalie as integrações entre sistemas

O ERP raramente trabalha sozinho.

É comum que ele esteja integrado a soluções de CRM, WMS, TMS, plataformas de e-commerce, sistemas fiscais, ferramentas de BI e diversas outras aplicações responsáveis pelo fluxo de informações da empresa.

Todas essas integrações também precisam ser avaliadas.

Uma parametrização correta dentro do ERP perde valor se informações incorretas continuarem chegando por meio de sistemas integrados ou se novos campos obrigatórios deixarem de ser transmitidos corretamente entre as plataformas.

Mapear essas integrações antecipadamente reduz riscos e evita surpresas durante a entrada em vigor das novas regras.

5. Revise os processos que serão impactados pela Reforma Tributária

A Reforma Tributária não altera apenas a forma como os tributos são calculados. Ela também influencia a maneira como diferentes áreas da empresa executam suas atividades. Compras, faturamento, comercial, fiscal, financeiro e controladoria passam a lidar com novas regras e dependem de informações ainda mais consistentes para manter a operação funcionando sem interrupções.

Por isso, este é um momento importante para mapear os processos internos e identificar onde as mudanças tributárias podem gerar impactos. Vale revisar desde o cadastro de produtos e clientes até os fluxos de aprovação, emissão de documentos fiscais, formação de preços e fechamento contábil.

Quanto maior for a integração entre as áreas, menor será a necessidade de ajustes emergenciais quando as novas exigências entrarem em vigor. Empresas que aproveitam esse período para revisar seus processos costumam enfrentar uma transição muito mais segura do que aquelas que concentram todos os esforços apenas na atualização do sistema.

6. Valide seu ambiente antes de colocar qualquer alteração em produção

Um dos erros mais comuns em projetos de adequação tributária é realizar alterações diretamente no ambiente produtivo, sem uma etapa estruturada de testes.

Mudanças relacionadas à CBS, ao IBS e às novas regras fiscais devem ser validadas previamente em um ambiente controlado. Esse processo permite simular cenários reais da operação, testar emissões de documentos fiscais, conferir cálculos tributários, validar integrações e identificar inconsistências antes que elas afetem clientes ou fornecedores.

Mais do que verificar se o ERP está funcionando, os testes devem confirmar se toda a operação continua respondendo corretamente às novas exigências legais.

Quanto mais próximos os cenários de teste estiverem da rotina da empresa, maior será a segurança para realizar a entrada em produção.

7. Prepare as pessoas, não apenas o sistema

Nenhuma mudança tributária será bem-sucedida se as equipes não compreenderem como ela afeta suas atividades diárias.

Treinamentos realizados poucos dias antes da entrada em produção costumam focar apenas na utilização das novas funcionalidades do ERP. Embora isso seja importante, não é suficiente para preparar a organização para uma mudança desse porte.

As áreas precisam entender por que determinados processos foram alterados, quais informações passam a ser obrigatórias, como as novas regras impactam outros departamentos e quais cuidados devem ser adotados para evitar inconsistências fiscais.

Quando usuários participam da preparação desde o início, o nível de adaptação costuma ser muito maior. Além de reduzir erros operacionais, essa abordagem fortalece a colaboração entre as equipes e facilita a adoção dos novos processos.

8. Revise relatórios, indicadores e informações gerenciais

A Reforma Tributária também impacta a forma como muitas empresas acompanham seus resultados.

Relatórios financeiros, indicadores fiscais, dashboards gerenciais e análises de desempenho podem depender de informações que serão alteradas pelas novas regras. Ignorar esse aspecto pode comprometer a qualidade das decisões tomadas pela liderança.

Por isso, vale revisar quais relatórios utilizam informações tributárias, quais indicadores precisarão ser recalculados e quais integrações alimentam ferramentas de Business Intelligence.

Essa etapa costuma receber menos atenção do que deveria, mas faz toda a diferença para manter a confiabilidade das informações utilizadas pela gestão após a entrada em vigor das mudanças.

9. Avalie se seus parceiros também estão preparados

A preparação para a Reforma Tributária não depende exclusivamente da empresa.

Escritórios de contabilidade, consultorias, fornecedores de tecnologia, parceiros logísticos e outras organizações que participam da operação também precisam estar alinhados às novas exigências.

Vale confirmar se todos os envolvidos possuem um cronograma de adequação, acompanham as atualizações legais e estão preparados para apoiar a empresa durante essa transição.

Quando cada parceiro trabalha em ritmos diferentes, aumentam as chances de atrasos, retrabalho e inconsistências que poderiam ser evitadas com planejamento conjunto.


10. Tenha um plano de acompanhamento contínuo

Talvez o maior erro seja acreditar que a preparação termina quando o ERP é atualizado ou quando as novas regras entram em vigor.

A Reforma Tributária representa uma transformação gradual, que continuará exigindo acompanhamento, revisões e ajustes ao longo dos próximos anos.

Por isso, é recomendável estabelecer um plano de governança para monitorar mudanças legais, revisar parametrizações sempre que necessário, acompanhar indicadores e manter as equipes atualizadas sobre novas exigências.

Empresas que tratam a adequação como um projeto contínuo tendem a responder mais rapidamente às mudanças regulatórias e reduzem significativamente o risco de problemas futuros.

O checklist é apenas o começo da preparação

Se você chegou até aqui, provavelmente percebeu que a adequação à Reforma Tributária envolve muito mais do que instalar uma atualização no ERP.

Os dez pontos apresentados neste artigo mostram que a preparação depende de uma combinação entre tecnologia, processos, pessoas e governança. Quanto maior for a integração entre esses elementos, maior será a capacidade da empresa de atravessar esse período de transição com segurança e previsibilidade.

Da mesma forma que acontece em projetos de implantação de ERP, a tecnologia não resolve sozinha problemas estruturais da operação. Ela potencializa processos bem definidos e torna ainda mais visíveis as inconsistências que precisam ser corrigidas. Esse assunto é aprofundado no artigo "O ERP não criou o caos operacional. Ele apenas revelou", que explica por que sistemas integrados evidenciam gargalos que muitas vezes permaneciam escondidos em controles paralelos e planilhas.

Também vale refletir sobre outro aspecto importante: nem sempre a necessidade está apenas na atualização do ambiente atual. Em algumas empresas, a proximidade da Reforma Tributária também desperta dúvidas sobre a capacidade do ERP de acompanhar as novas exigências legais e o crescimento da operação. Se esse é o seu caso, recomendamos a leitura do artigo "Como saber se sua empresa realmente precisa trocar de ERP?", que apresenta critérios para apoiar essa decisão de forma estratégica.

A preparação para a Reforma Tributária não começa em agosto. Ela começa agora, com planejamento, organização e decisões capazes de reduzir riscos antes que eles impactem a operação.


Continue sua preparação para a Reforma Tributária

A entrada em vigor das próximas etapas da Reforma Tributária exige muito mais do que uma atualização do ERP. Ela demanda planejamento, revisão de processos, validação de parametrizações fiscais e uma estratégia consistente para garantir conformidade sem comprometer a eficiência operacional.

Quanto antes sua empresa iniciar essa preparação, maiores serão as chances de realizar uma transição segura, reduzindo riscos, evitando retrabalho e preservando a competitividade do negócio diante das novas regras tributárias.

Quer aprofundar esse tema?

No dia 13 de agosto, às 16h, a G2 Tecnologia promoverá o webinar gratuito "CBS e IBS na conta: como recalcular preços e renegociar contratos antes que a margem evapore".

Durante o encontro, Juliana Najara, especialista da G2 Tecnologia, recebe Paulo Ferreira, da Accex, para discutir os impactos da Reforma Tributária na formação de preços, na rentabilidade das empresas e na revisão de contratos comerciais. Além disso, serão apresentadas orientações práticas para que empresas que utilizam SAP Business One iniciem sua preparação para as mudanças relacionadas à CBS, IBS e às novas exigências da legislação tributária.

Inscreva-se no webinar e descubra como preparar sua empresa para a Reforma Tributária com mais segurança, previsibilidade e estratégia.

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Nos vemos na próxima!

E para aprofundar sua preparação para a Reforma Tributária, explorar boas práticas de adequação ao SAP Business One e acompanhar conteúdos sobre governança, conformidade fiscal e transformação digital, confira também os outros artigos disponíveis em nosso blog.


Karina Castelhano

Sobre o autor

Karina Castelhano

Karina Castelhano é Gerente de Marketing e Inteligência de Mercado da G2, com mais de 20 anos de experiência em marketing B2B para empresas de tecnologia, incluindo atuação em projetos e soluções voltadas ao ecossistema SAP. Especialista em estratégias de crescimento, posicionamento de marca, geração de demanda e análise de mercado, atua na construção de operações de marketing orientadas a dados e resultados, com foco em inovação, relacionamento e expansão sustentável dos negócios.

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